ADOTAR OU COMPRAR
UM ANIMAL?

                                                                             Giancarlo       

ADOÇÃO

Nós, da Ceramicats, somos contra o comércio de seres vivos. Com tantos animais abandonados pelas ruas, sofrendo maus tratos, atropelamentos, fome, frio e medo, a ideia de gastar centenas, às vezes milhares de reais para adquirir um cão ou gato da moda parece fora de propósito.

Muitas pessoas não sabem que é possível adotar um bichinho. Não fazem ideia da realidade de milhares de abrigos superlotados, mantidos por ongs e protetores abnegados que se dedicam dia e noite a confortar aqueles cães, gatos e outros animais que um dia foram descartados ou que, por conta da irresponsabilidade humana, nasceram sem um lar. Para algumas pessoas, inclusive, esses abrigos só servem para serem chamados no caso de algum animal que precisa de ajuda… quando elas mesmas poderiam salvá-lo.

Se para você o que importa é o animal em si e toda a alegria que ele pode trazer, independente de raça, cor ou status, considere seriamente a adoção. Clique aqui e veja alguns endereços de ONGs e espaços para você procurar pelo seu novo amigo. O carinho e gratidão que um animal resgatado oferece não tem preço, e você estará oferecendo uma vida digna a quem um dia tanto sofreu.

ADOTAR UM ADULTO OU UM FILHOTE?

Uma vez decidida a adoção, o primeiro impulso é sempre escolher um gato ou cachorro filhote. Bebês são lindos, brincalhões, e é uma delícia vê-los crescerem. Mas a imensa maioria de animais nos abrigos é adulta, e muitas vezes preterida justamente por causa da idade – isso quando não por alguma outra característica, como, no caso de gatos pretos, a cor.

Tanto no caso de adultos como de filhotes há vantagens e desvantagens. As desvantagens, no entanto, geralmente são superadas com paciência e carinho.

Um dos pontos positivos de adotar um animal adulto é, por exemplo, saber de antemão seu porte máximo e seu temperamento. Outro é uma maior tranquilidade: o ímpeto destruidor é menor, bem como sua energia. Por outro lado, dentre as desvantagens estão o fato de que sua vida será mais curta e, em alguns casos de animais traumatizados, a construção de uma relação de confiança pode demorar bastante. Mas quando o animal finalmente confia em você, essa relação é muito, muito gratificante.

Os filhotes, por sua vez, costumam ser mais arteiros do que os adultos e precisam ser ensinados. Por isso demandam mais atenção e dedicação, o que pode ser um problema para quem é muito ocupado ou menos paciente. E os gastos iniciais são maiores, por conta de vacinas, castração e outros cuidados.

UMA OPÇÃO DIFERENTE: O RESGATE DE UM ANIMAL ABANDONADO

Já pensou que você pode ser o salvador de uma vida?

Alguma vez você se deparou com um cãozinho ou gatinho na rua, com sarna, magro, faminto ou machucado e nada fez por ele por achar que não tinha condições? Pois então saiba: você tem a mesma condição, ou até mais, que ongs e protetores independentes. Principalmente estes últimos bancam tudo de seu próprio bolso ou pedindo ajuda a amigos, fazendo rifas, vakinhas ou similares – pois ajuda governamental quase não existe.

Jeffrey Dean – resgatado pele, osso e sarna, com anemia, insuficiência renal severa e até uma bala de chumbinho alojada em seu corpo, encontrada por acaso ao fazer um raio x. Dois meses de internação para se recuperar e depois, em casa, recebia soroterapia a cada 3 dias.

Muitas pessoas veem um animal ferido ou doente, mas, ao invés de socorrê-lo, exigem que outros o façam. E é sempre para aqueles que já não têm mais espaço, dinheiro e às vezes nem saúde, mas que não conseguem virar as costas para um ser indefeso que precisa de ajuda, que sobra todo o custo e trabalho. Empurrar o problema adiante não é ajudar, é apenas a velha história de fazer caridade com chapéu alheio.

Alain Delon – resgatado com irmãos, estava com sarna, fungo e raquitismo. Recuperou-se, mas ficou com pernas extremamente curtas em relação ao corpo.

Sim, salvar um animal abandonado ou machucado demanda tempo, recursos e energia. Mas poucas coisas trazem maior alegria do que ver quase um sorriso naquela carinha que um dia era apenas a imagem do sofrimento. E você terá um companheiro fiel e grato para a vida toda.

Pense nisso.

Dove – resgatado em 2015 próximo à Praça da Sé, em São Paulo, estava com sarna e uma fratura já consolidada numa perna traseira, próximo à bacia. Tinha ao redor de 6 anos e viveu por mais 8 em um sítio – fazendo até o fim tratamento com acupuntura, medicações para dor e acompanhamento com veterinários ortopedistas.

COMPRA DE ANIMAIS

Às vezes uma determinada raça encanta de tal maneira que é difícil resistir, não é mesmo? Se este for o seu caso e você não quer dar uma chance a um animal abandonado, nosso conselho – e até mesmo um pedido – é: tome muito cuidado e precauções ao adquirir o seu bichinho de estimação, para não incentivar o comércio inescrupuloso de animais.

Por que isso? Porque, com raras exceções, a grande maioria dos vendedores de filhotes é de “criadores de fundo de quintal”, que fazem suas matrizes (cadelas e gatas que procriam para venda de filhotes) terem gestações em sequência, sem higiene, sem cuidados, sem carinho. Elas são apenas um meio de reprodução de objetos que darão dinheiro. E quando adoecem ou não podem mais reproduzir, elas perdem seu valor para essa gente, que as descartam sem o menor remorso. Há inúmeros casos desse tipo de abandono, e não somente no Brasil. Procure na internet.

Além disso, não raro os vendedores entregam filhotes doentes, sem as vacinas necessárias (ou de má qualidade), com problemas congênitos. Outros vendem animais mestiços dizendo serem de raça pura. Se houver uma reclamação do comprador, o vendedor às vezes troca o filhote… como se fosse uma mercadoria defeituosa.

Existem sim criadores responsáveis. Estes investem muito dinheiro, tempo, trabalho e cuidado para dar uma vida digna a seus animais: deixam-nos em espaços adequados e confortáveis, oferecem ração de boa qualidade, evitam crias muito seguidas e dão todo suporte veterinário para as matrizes e seus filhotes. Por tudo isso, os filhotes vendidos por um criador correto serão sempre muito mais caros do que aqueles vendidos pelos criadores de fundo de quintal – que só pensam em lucro e não no bem-estar dos animais.

Então, se a sua opção é comprar um animal, busque informações sobre os canis e gatis, visite-os antes de fechar negócio, peça referências. Se perceber uma disparidade muito grande no preço de filhotes da mesma raça de diferentes criadores, desconfie. E se descobrir casos de maus tratos, denuncie aqui!